ROI de programas de saúde mental: veja o que é e os benefícios

Mensurar o retorno sobre investimento (ROI) de programas de saúde mental não envolve apenas calcular custos e ganhos, mas saber como descobrir os valores já é um primeiro passo para reduzir afastamentos e acessar os benefícios que o bem-estar do trabalhador traz para as empresas.
Um exemplo dessa afirmação vem do estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde). Segundo os dados, para cada US$ 1 investido em saúde mental, o retorno é de, em média, US$ 4. Porém, as vantagens dos programas de bem-estar vão muito além do financeiro.
O relatório do levantamento também indicou que o ROI de programas de saúde mental também chega aos ganhos em produtividade, redução de afastamentos e absenteísmo, diminuição de turnover e mais capacidade laborativa para o empregado. Ou seja, um investimento inteligente e estratégico gera vantagens financeiras e organizacionais para as empresas.
Em contrapartida, deixar de investir em bem-estar pode significar prejuízos significativos. Em vez de cultivar bons frutos, os gestores terão que se preocupar com quanto a empresa perde com afastamento por saúde mental, com a busca por novos talentos e, em casos mais graves, com questões judiciais.
Mas como calcular o retorno de um programa de saúde mental? Qual o custo de não investir em saúde mental corporativa, na prática? Como saber se o custo-benefício das ações de bem-estar é equilibrado? Quais indicadores de RH a gestão precisa monitorar?
Vamos explicar essas e outras questões neste material. Continue a leitura e saiba mais sobre o ROI de programas de saúde mental com a Mapa HDS.
O que é e por que o ROI em programas de saúde mental virou pauta estratégica?
O ROI da saúde mental mede quanto uma empresa obtém de retorno sobre o investimento em recursos e ações de prevenção, acompanhamento psicológico, gestão de riscos psicossociais e promoção de bem-estar. Ou seja, é um cálculo para determinar o custo-benefício entre o que é gasto e o que é ganho.
A discussão sobre o assunto ganhou importância porque a saúde mental deixou de ser vista apenas como uma questão de benefício corporativo ou uma questão pessoal do empregado e passou a impactar produtividade, absenteísmo, presenteísmo, afastamentos, turnover e custos trabalhistas.
Por esse motivo, mais do que saber o conceito, as empresas precisam entender como calcular o retorno de um programa de saúde mental: a questão não impacta apenas o orçamento da empresa, mas também quais benefícios a organização conquistará com o tempo. Entenda.
Como calcular o retorno de um programa de saúde mental?
O cálculo de ROI compara os ganhos financeiros com o investimento realizado nas iniciativas de saúde e bem-estar, portanto, a empresa deve:
- Definir o investimento inicial;
- Estabelecer quais indicadores medem o sucesso de um programa de saúde mental;
- Transformar os resultados em valores financeiros;
- Calcular o ROI;
- Acompanhar as métricas e resultados continuamente.
Explicamos, em detalhes, como calcular o retorno de um programa de saúde mental a seguir.
1. Definir o investimento inicial
Some todos os custos do programa, como contratação de plataformas ou consultoria, avaliações psicossociais, atendimentos psicológicos, treinamento de lideranças, campanhas de prevenção, comunicações e materiais educativos.
Esse será o custo inicial para, depois, determinar o retorno e verificar a eficácia das medidas.
2. Estabelecer indicadores de RH
Registre os dados existentes antes do programa. Colete e armazene os indicadores de absenteísmo, afastamentos por saúde mental, presenteísmo, horas extras, produtividade, utilização de benefícios, adesão ao clima e à cultura organizacionais e acidentes.
Essa etapa cria a linha de base para comparar os retornos.
3. Transformar os resultados em valores financeiros
Se você implementar uma medida para reduzir afastamentos, por exemplo, estime quanto a empresa economizou com dias de ausência evitados x custo médio de cada dia de ausência.
O mesmo raciocínio é aplicável a qualquer outro objetivo que a companhia tenha.
4. Calcular o ROI de programas de saúde mental
A fórmula mais utilizada é:
ROI = (benefícios financeiros gerados − investimento) ÷ investimento × 100
Por exemplo:
- se o investimento anual foi de R$ 200 mil;
- a economia + ganhos estimados foi de R$ 500 mil;
- logo, o benefício líquido foi de R$ 300 mil.
O cálculo, nesse caso, será:
ROI = (R$ 500 mil − R$ 200 mil) ÷ R$ 200 mil × 100 = 150%
Ou seja, além de recuperar os R$ 200 mil investidos, o programa gerou R$ 300 mil de retorno líquido.
5. Acompanhar as métricas e resultados continuamente
O ideal é não avaliar o programa apenas no encerramento do projeto, mas periodicamente. O RH pode acompanhar mensal ou trimestralmente os indicadores mais importantes para determinar se os valores, tanto de investimento quanto de retorno, estão adequados.
No próximo bloco, falaremos mais sobre quais indicadores medem o sucesso de um programa de saúde mental. Afinal, é impossível saber se as abordagens funcionam ou não sem compreender quais métricas demonstram sucesso ou necessidade de adequação das medidas. Confira.
Quais indicadores medem o sucesso de um programa de saúde mental?
Conheça os indicadores mais importantes, bem como suas funções, na tabela a seguir.
| Indicador | O que permite avaliar |
| Absenteísmo | Redução de faltas e afastamentos relacionados à saúde. |
| Presenteísmo | Perda de produtividade mesmo quando o trabalhador está presente. |
| Turnover | Possível redução de desligamentos associados a estresse, sobrecarga ou ambiente de trabalho. |
| Afastamentos | Frequência e duração dos afastamentos por questões de saúde. |
| Utilização do programa | Adesão a atendimentos, avaliações, treinamentos e ações preventivas. |
| Engajamento | Participação e percepção dos trabalhadores sobre as iniciativas. |
| Clima organizacional | Mudanças na percepção sobre ambiente, liderança e relações de trabalho. |
| Riscos psicossociais | Evolução de fatores como sobrecarga, baixa autonomia, assédio e conflitos. |
| Produtividade | Impactos sobre desempenho e eficiência das equipes. |
| Custos de saúde | Variação de despesas relacionadas à assistência e afastamentos. |
O ideal é estabelecer os indicadores antes da implementação das medidas. Por exemplo, se o objetivo é reduzir os impactos de sobrecarga de trabalho, o RH pode combinar absenteísmo, horas extras, afastamentos, percepção de estresse e produtividade.
Para programas relacionados à gestão de riscos psicossociais, também é importante avaliar se os fatores identificados foram efetivamente tratados. Uma melhora na percepção de determinado risco, acompanhada de melhora nos indicadores de pessoas, fornece evidências mais robustas dos resultados.
Ou seja, o sucesso não significa apenas “mais pessoas usando os programas de saúde mental”. O indicador mais relevante é a combinação entre adesão, melhoria das condições de trabalho, resultados de saúde e impacto organizacional. Quanto melhores os números, mais positivos os resultados.
Aliás, o oposto também é verdade. Quando você não adota medidas de bem-estar no trabalho, uma nova preocupação surge para a organização: qual o custo de não investir em saúde mental corporativa? Porque, sim, a “economia” na implementação dos programas custa mais caro do que o investimento. Entenda.
Qual o custo de não investir em saúde mental corporativa?
O custo aparece principalmente em perdas de produtividade, absenteísmo, turnover, afastamentos e aumento de conflitos no ambiente de trabalho. Embora seja difícil atribuir um valor único a essas perdas, a dimensão do problema e as consequências podem ser extremamente lesivas para as companhias.
O estudo da OMS que apresentamos anteriormente estima que depressão e ansiedade custem cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia mundial, principalmente pela perda de produtividade. A organização também estima que aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho sejam perdidos anualmente por essas condições.
Por estes e outros motivos, o custo de não agir deve ser comparado ao investimento necessário para prevenção e tratamento. A própria OMS aponta que investimentos em saúde mental podem produzir retornos econômicos relevantes, o que torna a questão não apenas assistencial, mas financeira e estratégica para o negócio.
Não é exagero afirmar: investir em saúde mental aumenta a produtividade. Explicamos melhor a relação entre o bem-estar e o trabalho no próximo bloco.
Como investir em saúde mental aumenta a produtividade?
O investimento pode melhorar a saúde mental por diferentes caminhos, como redução do presenteísmo, retenção de talentos ou diminuição dos custos relacionados à saúde. Dados recentes mostram que a empresa que estrutura e mensura as iniciativas consegue transformar bem-estar em indicador de desempenho, não apenas em benefício corporativo.
Um exemplo muito forte de como investir em saúde mental aumenta a produtividade veio do World Economic Forum. Segundo o levantamento, uma empresa de artigos esportivos ofereceu a mais de 2.500 trabalhadores acesso a conteúdos de autocuidado, sessões de coaching e workshops.
Cerca de 1.240 empregados aderiram aos programas. O resultado estimado foi de US$ 2,9 milhões em ganhos anuais, o equivalente a 11,6 vezes o investimento inicial.
Desse valor:
- US$ 1,3 milhão veio de ganhos de produtividade associados a uma redução de 5% no presenteísmo;
- US$ 1,1 milhão veio de uma redução de 30% no turnover voluntário;
- US$ 500 mil corresponderam à redução de custos de RH relacionados à gestão de casos de saúde mental.
O ROI de programas de saúde mental é particularmente relevante porque demonstra que a capacidade produtiva é apenas uma parte do retorno. Um programa bem estruturado pode gerar valor simultaneamente por meio da retenção de talentos e da redução de custos administrativos.
Então, a resposta é: sim, investir em saúde mental aumenta a produtividade, mas os ganhos não terminam aqui. Os benefícios impactam mais do que as entregas e alcançam, também, o aspecto organizacional da empresa.
E é claro que, assim como existem vantagens, há também os desafios que precisam ser considerados por quem busca elevar o ROI de programas de saúde mental. Explicamos os maiores obstáculos a seguir.
Quais são os maiores desafios para o ROI de programas de saúde mental?
Os principais obstáculos são:
- dificuldade de mensuração de indicadores como estresse e satisfação;
- falta de indicadores bem definidos antes dos programas;
- retorno de longo prazo;
- influência de outros fatores, como mudança na liderança, remuneração e mercado;
- baixa adesão ou engajamento;
- privacidade dos dados;
- foco excessivo em ROI financeiro.
A melhor abordagem para vencer os desafios na hora de determinar o ROI de programas de saúde mental é combinar os retornos financeiros, indicadores de saúde e pessoas e métricas de produtividade. Assim, o RH consegue demonstrar não apenas quanto o programa custa, mas quanto valor gera e quais riscos ajuda a reduzir.
Por este motivo, mais do que estratégia, as empresas precisam de ferramentas apropriadas, tanto para a coleta de dados quanto para a comparação entre valores e, principalmente, o desenho dos planos de ação.
Afinal, sem aplicação prática, os indicadores não passam de informações soltas. E é aqui que a Mapa HDS faz toda a diferença no dia a dia do RH!
Qual a relação entre a Mapa HDS e o ROI de programas de saúde mental?
A relação está, principalmente, na capacidade de transformar dados sobre saúde e riscos psicossociais em informações que apoiam decisões e ações mensuráveis. A Mapa é uma plataforma completa de gestão de pessoas que ajuda com a coleta, armazenamento e análise de tudo o que diz respeito ao bem-estar dos trabalhadores.
Na prática, a Mapa pode contribuir para o ROI de programas de saúde mental em 4 etapas:
- Diagnóstico: identificação de fatores psicossociais e aspectos do ambiente de trabalho que podem afetar saúde, engajamento e produtividade;
- Priorização: ajuda o RH a direcionar recursos para os riscos mais relevantes, de modo a evitar investimentos genéricos ou ineficientes;
- Plano de ação: os resultados podem orientar intervenções específicas;
- Monitoramento: novas avaliações permitem comparar resultados ao longo do tempo e acompanhar a evolução dos indicadores.
A Mapa não determina, isoladamente, o ROI de programas de saúde mental; a plataforma coleta, armazena e fornece dados para identificar necessidades, direcionar investimentos e medir evolução.
Pare de contar com planilhas e ferramentas genéricas que não funcionam. Fale com os especialistas da Mapa e veja, na prática, como podemos ajudar com o ROI de programas de saúde mental da sua empresa.
FAQ
Quanto as empresas perdem com afastamento por saúde mental?
Não existe um valor exato relacionado às perdas por afastamentos por saúde mental. A OMS, porém, estima que depressão e ansiedade provoquem US$ 1 trilhão em perdas de produtividade por ano na economia mundial. O impacto varia conforme setor, duração dos afastamentos e estrutura da empresa.
Programas de saúde mental reduzem afastamentos?
Sim. Programas de saúde mental bem estruturados podem contribuir para a redução de afastamentos ao identificar riscos precocemente, ampliar o acesso ao suporte e melhorar as condições de trabalho. O resultado depende da qualidade das ações, da adesão dos trabalhadores e do acompanhamento dos riscos psicossociais.