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Afastamentos por transtornos mentais batem recorde

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Afastamentos por transtornos mentais batem recorde no Brasil e acendem alerta sobre saúde mental no trabalho.

Os afastamentos por transtornos mentais atingiram um novo recorde no Brasil, segundo dados divulgados pelo G1 com base em informações do INSS. O número crescente de benefícios concedidos por ansiedade, depressão e outros transtornos relacionados à saúde mental revela um cenário que vai além de estatísticas previdenciárias. Ele expõe um problema estrutural no mundo do trabalho.

Os afastamentos por transtornos mentais não são mais eventos pontuais ou restritos a categorias específicas. Mais de duas mil profissões registraram afastamentos desse tipo nos últimos anos, o que mostra que o fenômeno é amplo e transversal.

O dado mais alarmante é que eles vêm crescendo de forma consistente ano após ano, refletindo mudanças nas dinâmicas de trabalho, nas exigências de produtividade e na organização das atividades profissionais.

Quais profissões lideram os afastamentos por transtornos mentais

A lista divulgada revela que vendedores do comércio varejista, auxiliares administrativos, operadores de telemarketing, técnicos de enfermagem, faxineiros, motoristas e vigilantes estão entre os que mais registraram afastamentos por transtornos mentais.

Esse ranking é significativo porque envolve funções essenciais para o funcionamento da economia. Não se trata apenas de cargos executivos sob alta pressão estratégica. São trabalhadores da linha de frente, muitas vezes submetidos a jornadas intensas, metas rígidas e baixa autonomia.

Os afastamentos por transtornos mentais nessas ocupações indicam que fatores como cobrança excessiva, instabilidade contratual, exposição à violência urbana e sobrecarga operacional podem estar contribuindo para o adoecimento.

Confira: NR-01: 68% das empresas não entendem o que muda

Por que os afastamentos estão aumentando

Especialistas apontam que o aumento está relacionado a uma combinação de fatores estruturais.

Entre eles estão a intensificação do trabalho, a digitalização acelerada, a cobrança por metas cada vez mais agressivas e a redução de quadros de funcionários em diversos setores. Quando menos pessoas precisam entregar mais resultados, o impacto psicológico tende a crescer.

Além disso, a insegurança econômica e a instabilidade no mercado de trabalho contribuem para o aumento dos afastamentos por transtornos mentais. Profissionais que temem perder o emprego muitas vezes permanecem em ambientes tóxicos por longos períodos, até que o esgotamento se torna inevitável.

Veja: NR-01 atualizada: um guia completo para empresas

O impacto macroeconômico dos afastamentos por transtornos mentais

Quando analisamos os afastamentos por transtornos mentais apenas sob a perspectiva individual, perdemos a dimensão sistêmica do problema. Cada afastamento representa uma pessoa adoecida, mas também representa impacto previdenciário, impacto empresarial e impacto social.

Os afastamentos por transtornos mentais pressionam o sistema de seguridade social, ampliam gastos públicos e reduzem a produtividade agregada do país. Em setores estratégicos, como saúde, transporte e comércio, o aumento desses afastamentos afeta diretamente a continuidade de serviços essenciais.

Além disso, há um custo invisível que raramente entra nas estatísticas formais: o presenteísmo. Muitos trabalhadores permanecem ativos mesmo já enfrentando sofrimento psíquico significativo. Antes que se tornem afastamentos por transtornos mentais oficialmente reconhecidos, há um período prolongado de queda de desempenho, fadiga emocional e redução da capacidade de concentração.

Isso significa que o número real de impactos é ainda maior do que os dados previdenciários indicam.

O impacto organizacional

Os afastamentos por transtornos mentais não afetam apenas o trabalhador individualmente. Eles geram impactos diretos na operação das empresas.

Quando um colaborador é afastado, ocorre redistribuição de tarefas, sobrecarga de colegas e, frequentemente, queda de produtividade. Em setores já pressionados por metas e prazos, um único afastamento pode desencadear um efeito cascata.

Além disso, eles aumentam custos com substituições, treinamentos e possíveis passivos trabalhistas. O impacto financeiro pode ser significativo, especialmente quando os casos se tornam recorrentes.

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Afastamentos por transtornos mentais batem recorde

A relação entre afastamentos por transtornos mentais e riscos psicossociais

Os afastamentos estão diretamente ligados aos chamados riscos psicossociais. Esses riscos envolvem fatores organizacionais que afetam o equilíbrio emocional dos trabalhadores.

Sobrecarga contínua, metas inalcançáveis, conflitos interpessoais, falta de clareza de funções e ausência de suporte gerencial são exemplos de riscos psicossociais que podem levar ao aumento dos afastamentos por transtornos mentais.

Quando esses fatores não são monitorados e tratados preventivamente, a probabilidade de adoecimento cresce.

O papel da NR-01

A atualização da NR-01 reforça que riscos psicossociais devem ser integrados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Isso significa que a empresa tem responsabilidade formal sobre a identificação e o controle desses fatores.

Os afastamentos por transtornos mentais tornam evidente a necessidade de aplicar a NR-01 de forma estruturada. Não basta conhecer a norma. É preciso operacionalizá-la com diagnóstico, indicadores e monitoramento contínuo.

Quando a organização incorpora os riscos psicossociais à sua matriz de risco, ela passa a ter visão preventiva sobre os fatores que podem gerar afastamentos por transtornos mentais.

A gestão reativa já não é suficiente

Os dados mostram que muitas empresas ainda agem apenas após o surgimento de afastamentos por transtornos mentais. Esse modelo reativo aumenta custos e fragiliza a cultura organizacional.

A prevenção exige diagnóstico antecipado. Exige reconhecer padrões antes que se transformem em afastamentos por transtornos mentais. Sem dados estruturados, a empresa permanece vulnerável.

Como reduzir afastamentos por transtornos mentais

A redução exige ação estratégica. É necessário mapear fatores psicossociais, criar indicadores claros, envolver lideranças e estruturar planos de ação baseados em evidências. Empresas que monitoram riscos psicossociais conseguem identificar áreas mais vulneráveis e agir antes que o adoecimento se consolide.

Inventário Psicossocial Mapa HDS e a prevenção do problema

O Inventário Psicossocial da Mapa HDS foi desenvolvido para apoiar empresas na identificação estruturada de riscos psicossociais.

Ele engloba um gerenciador de riscos integrado que permite acompanhar indicadores e monitorar fatores associados aos afastamentos por transtornos mentais. Além disso, conta com uma matriz de risco específica para riscos psicossociais, alinhada às exigências da NR-01.

Com diagnóstico técnico e acompanhamento contínuo, a empresa reduz a probabilidade de afastamentos e fortalece sua governança.

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FAQ

O que são afastamentos por transtornos mentais?

São benefícios concedidos pelo INSS a trabalhadores diagnosticados com condições como ansiedade, depressão e outros transtornos relacionados à saúde mental.

Por que os afastamentos por transtornos mentais estão aumentando?

Estão relacionados à intensificação do trabalho, insegurança profissional e riscos psicossociais não gerenciados adequadamente.

Quais profissões registram mais afastamentos por transtornos mentais?

Vendedores, operadores de telemarketing, auxiliares administrativos, técnicos de enfermagem e motoristas estão entre os mais impactados.

A empresa pode prevenir afastamentos por transtornos mentais?

Sim. Por meio da gestão de riscos psicossociais, diagnóstico estruturado e aplicação adequada da NR-01.

A NR-01 trata de afastamentos por transtornos mentais?

Indiretamente, sim. Ao exigir gestão de riscos psicossociais, a NR-01 contribui para prevenir fatores que levam aos afastamentos por transtornos mentais.