Como incluir assédio na matriz de risco do PGR e do GRO
Durante muito tempo, o assédio no trabalho foi tratado como um problema isolado, geralmente direcionado para o RH ou para áreas de compliance. Era visto como uma questão comportamental, muitas vezes reativa, tratada apenas quando surgiam denúncias.
Com a evolução das normas de segurança e saúde no trabalho, especialmente com a atualização da NR-01, esse cenário mudou de forma significativa. O assédio passa a ser reconhecido como um fator de risco psicossocial, o que exige sua inclusão no gerenciamento de riscos ocupacionais.
Isso significa que ele precisa sair do campo subjetivo e passar a fazer parte da matriz de risco do PGR e do GRO.
A mudança de paradigma: de comportamento para risco ocupacional
A principal transformação está na forma de enxergar o problema. O assédio deixa de ser tratado apenas como uma conduta inadequada e passa a ser compreendido como um fator que pode gerar adoecimento, afastamentos e impactos organizacionais.
Essa mudança exige uma abordagem estruturada. Não basta mais reagir a casos isolados. É necessário identificar, avaliar e monitorar o risco de forma contínua.
Essa é a lógica do GRO.
Confira: NR-01 2026: o que muda com o novo manual do GRO
O que a NR-01 exige na prática
A NR-01 determina que as empresas devem identificar e gerenciar todos os riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais. Isso inclui elementos relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e à cultura organizacional.
O assédio se insere nesse contexto como um risco que pode afetar diretamente a saúde mental dos trabalhadores.
Portanto, ele precisa ser incorporado ao inventário de riscos e à matriz de risco, com critérios claros de avaliação.
Por que o assédio não entra na matriz de risco na maioria das empresas
Apesar da exigência normativa, muitas empresas ainda não conseguem incluir o assédio em sua matriz de risco. Isso acontece por alguns motivos principais.
O primeiro é a dificuldade de mensuração. Diferente de riscos físicos, o assédio não pode ser observado diretamente. Ele depende de percepção, contexto e comportamento.
O segundo é a cultura organizacional. Em muitos casos, o tema ainda é tratado de forma sensível ou evitado, o que dificulta sua formalização como risco.
O terceiro é a falta de metodologia. Sem ferramentas adequadas, a empresa não consegue transformar esse fator em dados estruturados.
Veja: Riscos psicossociais além do assédio: erros que empresas ainda cometem
O desafio de transformar assédio em indicador
Para que o assédio seja incluído na matriz de risco, ele precisa ser convertido em um indicador. Isso significa sair da percepção individual e construir uma leitura coletiva e estruturada do ambiente.
Essa transformação é essencial para que o risco possa ser classificado em termos de severidade e probabilidade.
Sem isso, ele não entra na lógica do PGR.
Como estruturar a inclusão do assédio no PGR
A inclusão do assédio no PGR começa pelo diagnóstico. A empresa precisa mapear fatores relacionados à cultura, liderança, comunicação e relações interpessoais.
Esse mapeamento deve gerar dados que permitam identificar áreas mais críticas, padrões de comportamento e níveis de exposição ao risco.
A partir disso, o assédio pode ser inserido no inventário de riscos e classificado na matriz.
A matriz de risco aplicada ao psicossocial
A matriz de risco tradicional utiliza critérios de severidade e probabilidade. Essa lógica também pode ser aplicada aos fatores psicossociais.
No caso do assédio, a severidade está relacionada ao impacto na saúde mental e nos resultados organizacionais. A probabilidade está ligada à frequência e às condições que favorecem esse comportamento.
Ao cruzar esses dois fatores, a empresa consegue priorizar ações e direcionar esforços.

Do diagnóstico à gestão contínua
Incluir o assédio na matriz de risco não é um processo pontual. Ele exige acompanhamento contínuo. A empresa precisa monitorar indicadores, avaliar a efetividade das ações e ajustar sua estratégia ao longo do tempo.
Isso transforma o tema em parte da gestão, e não apenas em uma resposta a problemas.
O papel do Inventário Psicossocial
O Inventário Psicossocial permite mapear fatores relacionados ao assédio de forma estruturada. Ele avalia dimensões como relações interpessoais, suporte da liderança, clima organizacional e percepção de justiça.
Esses dados são fundamentais para identificar riscos e construir indicadores confiáveis.
Como a Mapa HDS apoia essa estruturação
A Mapa HDS atua com instrumentos psicométricos desenvolvidos com base em dados brasileiros, o que garante maior aderência à realidade das organizações.
Seu Inventário Psicossocial permite identificar fatores de risco relacionados ao assédio e integrá-los à matriz de risco de forma estruturada.
Além disso, a plataforma organiza automaticamente esses dados em matriz 5×5, considerando severidade e probabilidade, facilitando a integração com o GRO e o PGR.

Assédio também é gestão de risco
O assédio não pode mais ser tratado como um tema isolado. Ele faz parte dos riscos psicossociais e precisa ser gerenciado como tal.
Incluir esse fator na matriz de risco é um passo essencial para estruturar uma gestão mais madura e alinhada às exigências da NR-01.